lunes, 4 de julio de 2011

Essência




Sou como a Terra que gira

Às vezes noite, às vezes dia

Sigo a estrada da sorte

Às vezes sul, às vezes norte




Pra me entender é preciso contato...


Não sou assim tão complicado

Não vês que a essência não muda?

É que às vezes sou nuvem

Às vezes sou chuva



miércoles, 5 de enero de 2011

Cidade grande qualquer



Prédios entre ladeiras

mulheres entre bebedeiras

suor pavor gritar

Um homem vai depressa.

Um andarilho vai depressa.

Um automóvel vai depressa.

Depressa... as janelas se fecham.

Eta vida besta, meu Deus

lunes, 28 de diciembre de 2009

Sobre coelhos e burros...

Habilidosamente um mágico engravatado retira da cartola um coelhinho branco. A plateia, que acabara de ver o grande mágico colocar na cartola um grande lenço branco, fica espantada: como pode um lenço branco ser agora um coelho? E aplaude. A plateia sabe se tratar de um truque de ilusionismo, mas, não sabendo explicar como fora feito, fica admirada. Mas, ironicamente, os nobres membros da plateia não ficam surpreendidos de serem os coelhos da grande cartola da vida. Não querem saber como esta mágica da vida foi feita, embora a maioria se contente em aceitar que há um mágico.

A única diferença entre nós e o coelhinho branco da cartola é que o coelhinho não sabe que está participando de um truque de mágica. Conosco é diferente. Sabemos que estamos fazendo parte de algo misterioso e gostaríamos de explicar como tudo isso funciona.

O coelhinho branco é na verdade o universo. A plateia são os seres microscópicos que vivem na base de um dos vários pêlos do coelho. Mas caso você não queira fazer parte da medíocre plateia que fica bem no fundo do pêlo, deverá tentar subir da base para a ponta dos finos pêlos, a fim de poder olhar bem dentro dos olhos do grande mágico.

A única coisa de que precisamos para nos tornarmos filósofos (ou bons viventes) é a capacidade de nos admirarmos com as coisas. Embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam filósofos. Por diferentes motivos, a maioria delas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida. Elas se alojam bem na base do pêlo do coelho ou fazem um ninho bem confortável em algum lugar e ficam lá pelo resto de suas vidas. Mas...

Senhoras e senhores: o espetáculo vai começar!!!!

Olhem, senhoras e senhores, lá vêm elas: as estrelas asteriscos!!!!!
Caem riscando o céu!! Observações brilhantes:

*
*
*
*
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A vida, abaixo, é de papel

*Querer ser dono de coisas ou pessoas é pôr a corda no pescoço:
A palavra “Nosso” e “Posso” só tem nó, pó e osso

*Há que se mudar a tática... abortar a estética... estrupar a prática...parir a ética

*O início? Algum dia alguma coisa tinha de ter surgido do nada ou sempre existiu!

*Pequeno conto: erra uma vez...
Erra duas, três, 4, 5, 6... Tanto errou que um dia acertou

*Seja um burro e goste de sê-lo... Deixe, enfim, testemunho bravo brando, sua filosofia de estribeira, ata que não desata; seu zurro juramento: mandíbula, casco e crina, seja um burro 100%, ou, se preferir, vulgo jumento

*Mais inteligente é aquele que sabe que não sabe

*Mas há luz no fim do túnel...mas vão cortar se você não pagar: bem vindo ao mundo capitalista... ah não, você já conhece este mundo bem...desculpe-me!

*Então, apenas viva...se entregue e erre

*Apenas brilhe na ponta de um fio de pêlo de coelho

*Ame e descubra o amar nobre tripulante de coelhos interestelares



Ops...

Senhoras e senhores: o espetáculo acabou... *

* ... *

... etc ... *

martes, 20 de enero de 2009

E amarás o teu próximo como a ti mesmo...

O que significa amar o próximo?
Quanto devemos doar de nós mesmos?
Quais realizações são realmente importantes?
Quantos ainda terão que morrer de fome para que morra o nosso egoísmo?
O que é ser sensível?
O que é a bondade?
De quantos sonhos teremos que acordar para perceber o que é essencial?
Quantas perguntas são necessárias?
Observe
Sinta
Pense
Vamos continuar fugindo?
Será que somos pseudocristãos nos divertindo na roda-gigante do capitalismo?
Quantos ainda precisarão morrer?
O que é a dor?
O que é o amor?
Dinheiro
Fome
Casa
Frio
Carro
Lágrimas
O que você tem buscado em sua vida?
O que você tem visto?
Será que somos pseudocristãos nos divertindo na roda-gigante do capitalismo?
Será que somos?
Será?
Weriton Fidalgo

video

(Vídeo feito por mim, Weriton, também disponível no youtube: www.youtube.com/watch?v=Po6FqvZKAiI)


Gente Humilde
Composição: Garoto, Chico Buarque e Vinicius de Moraes

Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegría que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que (não) creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar

miércoles, 7 de enero de 2009

Flores raras

Por anos percorri jardins em busca de flores raras
Observava tudo…
Vi pedras de todos os tipos
Vi formigas, lagartas e borboletas
Vi cravos, margaridas e tulipas
Mas nada que lembrasse uma flor rara

Quando pensava em flores raras sentia algo dentro de mim
Mas não conseguia desenhá-las ou explicar como eram
Ninguém podia me ajudar…
Mudavam as estações
Flores novas apareciam
E insetos de cores diferentes
As pedras eram sempre iguais mesmo
Mas nada que lembrasse uma flor rara

Às vezes queria desistir
Afinal foram anos buscando tais flores
Mas só via cravos, margaridas e tulipas
Certo dia, num canto de um jardim qualquer
Deitei-me com cuidado e fechei os olhos
Concentrei-me para que a imagem da flor aparecesse
De repente vi uma mancha vermelha
flutuando no plano escuro da minha visão
Esforcei-me, mas nem uma flor comum se formou


Comecei a crer que flores raras não existiam
Nunca tinha visto uma sequer
Mas continuei tentando…
Encontrei outro jardim
Mas já não conseguia lembrar se havia estado ali antes
Fechei os olhos e suspirei profundamente
Algo incrível aconteceu:
um perfume que nunca havia sentido antes!

Não abri os olhos
Deixei que o perfume me invadisse por completo
Segui aquele doce rastro que aumentava gradualmente no ar
Enfim, apanhei a flor
Abri os olhos
Era amarela no centro e com pétalas longas e brancas
Era uma margarida!!
Mas cheirava ao amor e tinha a textura da bondade
Sabia dentro de mim que se tratava realmente de uma flor rara

Hoje aprendi a procurar tais flores
Nem preciso mais fechar os olhos
E posso sentir seu perfume mesmo a distância
Agora tenho um grande jardim cheio de flores raras
E sei que são raras
Porque ainda encontro cravos, margaridas e tulipas
Sem amor, sem bondade e sem nada

Definitivamente compreendi:
Podemos buscar amigos em vários lugares
Mas poucos serão como flores raras
E para encontrá-los é preciso usar os mais nobres sentimentos:
Se tem cheiro de amor e textura de bondade
É uma flor rara
Hoje tenho um coração cheio dos melhores amigos
É o meu jardim de flores raras!!



Um poema de Weriton Fidalgo
A todos meus amigos

lunes, 5 de enero de 2009

Um certo nascimento

Olhares inquietos e dispostos se encontraram
Um impulso de sentimento desconhecido os desviou
mas a partícula necessária cuidadosamente foi plantada
sem saber que a sublime mitose desabrochar-se-ia
inflando de esperança um conceito de alegria

Um misterioso magnetismo preencheu a distância...
que despretensiosamente o tempo aniquilou
e um sorriso sem exitar se despiu da timidez
para que no trampolim do talvez frases curtas se lançassem
como se desconhecessem o nascimento da amizade



Um poema de Weriton Fidalgo
A todos os amigos que fazem parte da minha vida

sábado, 27 de diciembre de 2008

Não tenho fé suficiente para ser ateu - Boa Ciência versus Ciência Ruim

É crença comum que o chamado debate criação-evolução (hoje em dia freqüentemente designado debate do projeto inteligente versus naturalismo) está vinculado a uma guerra entre religião e ciência, entre a Bíblia e a ciência, ou entre fé e razão. Essa percepção é perpetuada pela mídia, que, coerentemente, apresenta o debate nos termos do filme O vento será tua herança (Inherit the Wind), de 1960, uma ficção da "experiência do macaco" de John Scopes, de 1925. Você conhece essa descrição. Ela é basicamente assim: aí vêm aqueles religiosos fundamentalistas malucos outra vez, querendo impor sua religião dogmática e ignorando a ciência objetiva.
A verdade é que não existe nada mais distante da verdade. O debate entre a criação e a evolução não é sobre religião versus ciência ou sobre a Bíblia versus a ciência — é sobre boa ciência e ciência ruim. Do mesmo modo, não é sobre fé versus razão — é sobre fé racional em oposição a fé irracional. Você pode ficar surpreso ao descobrir quem está praticando ciência ruim, bem como uma fé irracional.
Infelizmente, na questão da primeira vida, darwinistas como Dawkins e Crick descartam as causas inteligentes antes mesmo de olharem para as evidências. Em outras palavras, suas conclusões são influenciadas pelas suas pressuposições. A geração espontânea por meio das leis naturais tem de ser a causa da vida porque eles não consideram nenhuma outra opção.

A evidência em favor da inteligência e contra o naturalismo é tão forte que proeminentes evolucionistas chegaram até mesmo a sugerir que seres extraterrestres depositaram a primeira vida aqui. Fred Hoyle inventou essa teoria incomum (chamada de panspermia, ou "sementes de todos os lugares") depois de descobrir que a probabilidade de a vida ter surgido por geração espontânea era efetivamente zero (é claro que a panspermia não resolve o problema, mas simplesmente coloca outra questão: quem criou os extraterrestres inteligentes?). Por mais louca que possa parecer essa teoria, pelo menos os defensores da panspermia reconhecem que algum tipo de inteligência deve estar por trás da fantástica maravilha que chamamos vida.

A crença de que a vida na Terra surgiu espontaneamente com base em uma matéria inanimada é simplesmente uma questão de fé num reducionismo profundo e está baseada inteiramente em ideologia. Os darwinistas acreditam falsamente que podem reduzir a vida a seus componentes químicos inanimados. Essa é a ideologia do reducionismo.

Os darwinistas desprezam a conclusão de que a inteligência é imprescindível para a existência da primeira vida, sugerindo que mais tempo permitiria que as leis naturais fizessem seu trabalho. "Dê-lhes vários bilhões de anos, e, por fim, teremos vida". Isso é plausível?

Pode-se dizer que talvez as leis naturais conseguissem fazer isso se lhes déssemos alguns bilhões de anos. Não, elas não conseguiriam. Por quê? Porque, em vez de organizar, a natureza desordena as coisas (o fato de que a natureza leva as coisas à desordem é outro aspecto da segunda lei da termodinâmica).

Vamos supor que você jogue confetes verdes, amarelos, azuis e brancos de um avião que esteja voando a 300 metros acima da sua casa. Quais são as chances de eles formarem a bandeira do Brasil no gramado da sua casa? Muito pequenas. Por quê? Porque as leis da natureza vão misturar ou escolher a esmo os confetes. Você diz: "Dê-lhe mais tempo". Tudo bem, vamos levar o avião a 3 mil metros e dar mais tempo às leis naturais para trabalharem no confete. Isso melhora a probabilidade de que uma bandeira seja formada no seu quintal? Não. Na verdade, um tempo maior faz a formação da bandeira ser ainda menos provável, porque as leis naturais terão mais tempo para fazer o que elas fazem: desorganizar e misturar.
Qual é a diferença em relação à origem da primeira vida? Os darwinistas podem dizer que a segunda lei da termodinâmica não se aplica continuamente aos sistemas vivos. Além do mais, coisas vivas crescem e ficam mais ordenadas. Sim, elas crescem e ficam mais ordenadas, mas elas perdem energia no processo de crescimento. O alimento que entra num sistema vivo não é processado com 100% de eficiência. Assim, a segunda lei também se aplica aos sistemas vivos. Mas essa não é a questão. A questão é: não estamos falando sobre o que alguma coisa pode fazer uma vez que esteja viva; estamos falando em primeiro lugar sobre como obter uma coisa viva. Como a vida surgiu com base em elementos químicos inanimados, sem uma intervenção inteligente, uma vez que os elementos químicos inanimados são suscetíveis à segunda lei da termo dinâmica? Os darwinistas não têm uma resposta, mas apenas fé.

Será possível explicar a incrível complexidade específica da vida por meio do acaso? De jeito algum! Tanto ateus quanto teístas calcularam a probabilidade de a vida ter surgido por acaso com base em elementos químicos inanimados. Os números calculados são astronomicamente pequenos - virtualmente zero. Michael Behe, por exemplo, disse que a probabilidade de se obter ao acaso uma molécula de proteína (que tem cerca de cem aminoácidos) seria semelhante a um homem de olhos vendados encontrar um grão de areia específico na areia do deserto do Saara por três vezes consecutivas. E uma molécula de proteína não é vida. Para obter vida, você precisaria colocar cerca de 200 dessas moléculas juntas!
Essa probabilidade é praticamente igual a zero. Mas acreditamos que a probabilidade é verdadeiramente zero. Por que zero? Porque "o acaso" não é uma causa. O acaso é uma palavra que usamos para descrever possibilidades matemáticas. Ele não tem poder em si próprio. O acaso não é nada. O acaso é aquilo com que as rochas sonham.
Se alguém gira uma moeda, qual é a chance de ela parar com a cara para cima? Nós dizemos que é de 50%. Sim, mas qual é a causa de ela parar com a cara para cima? É o acaso? Não, a causa principal é um ser inteligente que decidiu rodar aquela moeda e aplicar alguma força para fazer isso. As causas secundárias, como as forças físicas do vento e da gravidade, também causam impacto no resultado desse lance. Se conhecêssemos todas essas variáveis, poderíamos calcular antecipadamente qual seria a face que ficaria para o lado de cima. Mas uma vez que não conhecemos todas essas variáveis, usamos a palavra "acaso" para encobrir nossa ignorância. Não deveríamos permitir que os ateus encobrissem sua ignorância com a palavra "acaso". Se eles não conhecem um mecanismo natural por meio do qual a primeira vida possa ter vindo a existir, então deveriam admitir que não sabem, em vez de sugerirem uma palavra sem poder que, naturalmente, não é de modo algum uma causa. ''Acaso'' é simplesmente outro exemplo da ciência ruim praticada pelos darwinistas.

É por essa e outras que eu não tenho fé suficiente para ser ateu.